11 de mar de 2012

Mulheres viram promotoras da recuperação psicológica após tsunami do Japão




Apesar de o horizonte no nordeste do Japão estar mais limpo, a ferida que o tsunami deixou nas vítimas é muito profunda e as mulheres se tornaram promotoras da recuperação psicológica.

A 15 minutos de Ishinomaki, uma das cidades mais afetadas pelo desastre, fica o Tomorrow Business Town, uma área projetada para abrigar empresas e onde agora está sendo construído um dos complexos de casas temporárias para os desabrigados da região nordeste de Tohoku.

Nessa área, que fica em frente a uma gigantesca montanha de carros destruídos cobertos por lonas opacas, foram construídas 7.300 pequenas casas numeradas. No centro, está sendo construído um prédio comunitário onde algumas organizações, como a Ishinomaki Revival Suport, oferecem assistência psicológica às vítimas.

'No complexo não existe a ideia de comunidade. O principal problema é psicológico e, embora a situação tenha melhorado, tudo ainda é muito difícil', principalmente para os homens, que são muito mais fechados, disse à Agência Efe Keita Watanabe, secretário-geral da ONG.

A falta de trabalho e o isolamento provocaram 'muitos casos de alcoolismo', especialmente em homens idosos, e um aumento da agressividade, chegando ao ponto de serem registrados casos de violência doméstica e suicídios, destacou Watanabe.

Para reduzir o estresse, a organização iniciou atividades culturais, oficinas e até uma horta para tentar estimular o segmento mais isolado, os homens.

'Eles são mais difíceis, não se socializam. Nós falamos mais, somos mais fortes', afirmou à Efe Reiko Chiba, uma senhora de 70 anos que vive nas casas temporárias desde agosto e cujos olhos brilham ao lembrar da tragédia.

Reiko contou que no momento do tsunami estava em casa com seu marido: 'Ia pegar uma bolsa e o celular no segundo andar quando comecei a ver a água preta inundar tudo'.

A idosa agora colabora no projeto de comércio justo japonês East Loop, e junto com outras vítimas, faz broches que são vendidos em lojas de todo o Japão para se sentir ocupada e ter uma pequena renda adicional. Até o momento, estas mulheres venderam 12 mil peças, gerando cerca de US$ 80 mil.

Uma de suas amigas, Takiko Takeda, foi surpreendida pelo tsunami quando ia começar o enterro de seu cunhado e quase não teve tempo de voltar a colocar o caixão no carro e fugir antes que a enchente os atingisse. Ela e o marido encontraram uma casa vazia, onde se refugiaram no segundo andar, enquanto o corpo do parente foi levado pelo tsunami.

Em Ishinomaki, segunda cidade da província de Miyagi com 165 mil habitantes, 3.735 pessoas morreram ou desapareceram em 11 de março por causa do desastre, que no total deixou quase 20 mil mortos e 470 mil desabrigados, dos quais apenas 135 mil puderam voltar a suas casas.

Além das casas temporárias, outras iniciativas foram realizadas para ajudar as vítimas, como o projeto 'K-engine' da Universidade de Kogakuin, em Tóquio, para a construção de imóveis permanentes. Sasaki, um pescador da região, foi um dos primeiros a receber esse tipo de casa, construída em um mirante perto do porto e fora de perigo: 'Estamos muito felizes por começar de novo. Antes estávamos muito perto do mar e agora nos sentimos mais seguros', afirmou.

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